I
Παντὶ δόγματι καὶ λόγῳ τῆς ἐν τοῖς οὖσιν ἀληθείας ἐχομένῳ παραφύεταί τι ψεῦδος· παραφύεται δὲ οὐκ ἐξ ὑποκειμένης τινὸς ἀρχῆς κατὰ φύσιν ὁρμώμενον ἢ τῆς κατ᾿ αὐτὸ ὅπερ ἐστὶν ἕκαστον αἰτίας, ἀλλ᾿ ὑπὸ τῶν τὴν ἔκθεσμον σπορὰν ἐπὶ διαφθορᾷ τῆς ἀληθείας τετιμηκότων σπουδαζόμενον. Τοῦτο δ᾿ ἔστιν εὑρεῖν πρῶτον μὲν ἐκ τῶν πάλαι ταῖς περὶ τούτων φροντίσιν ἐσχολακότων καὶ τῆς ἐκείνων πρός τε τοὺς ἑαυτῶν πρεσβυτέρους καὶ τοὺς ὁμοχρόνους γενομένης διαφορᾶς, οὐχ ἥκιστα δὲ ἐξ αὐτῆς τῆς τῶν ἐν μέσῳ στρεφομένων ταραχῆς. Οὐδὲν γὰρ τῶν ἀληθῶν οἱ τοιοῦτοι κατέλιπον ἀσυκοφάντητον, οὐ τὴν οὐσίαν τοῦ θεοῦ, οὐ τὴν γνῶσιν, οὐ τὴν ἐνέργειαν, οὐ τὰ τούτοις ἐφεξῆς καθ᾿ εἱρμὸν ἑπόμενα καὶ τὸν τῆς εὐσεβείας ἡμῖν ὑπογράφοντα λόγον. Ἀλλ᾿ οἱ μὲν πάντη καὶ καθάπαξ ἀπογινώσκουσι τὴν περὶ τούτων ἀλήθειαν, οἱ δὲ πρὸς τὸ δοκοῦν αὐτοῖς διαστρέφουσιν, οἱ δὲ καὶ περὶ τῶν ἐμφανῶν ἀπορεῖν ἐπιτηδεύουσιν. Ὅθεν οἶμαι δεῖν τοῖς περὶ ταῦτα πονουμένοις λόγων διττῶν, τῶν μὲν ὑπὲρ τῆς ἀληθείας, τῶν δὲ περὶ τῆς ἀληθείας· καὶ τῶν μὲν ὑπὲρ τῆς ἀληθείας πρὸς τοὺς ἀπιστοῦντας ἢ τοὺς ἀμφιβάλλοντας, τῶν δὲ περὶ τῆς ἀληθείας πρὸς τοὺς εὐγνωμονοῦντας καὶ μετ᾿ εὐνοίας δεχομένους τὴν ἀλήθειαν. Ὧν ἕνεκεν χρὴ τοὺς περὶ τούτων ἐξετάζειν ἐθέλοντας τὴν ἑκάστοτε προκειμένην χρείαν σκοπεῖν καὶ ταύτῃ τοὺς λόγους μετρεῖν, τήν τε περὶ τούτων τάξιν μεθαρμόζειν πρὸς τὸ δέον, καὶ μὴ τῷ δοκεῖν τὴν αὐτὴν πάντοτε φυλάττειν ἀρχὴν ἀμελεῖν τοῦ προσήκοντος καὶ τῆς ἐπιβαλλούσης ἑκάστῳ χώρας. Ὡς μὲν γὰρ πρὸς ἀπόδειξιν καὶ τὴν φυσικὴν ἀκολουθίαν, πάντοτε πρωτοστατοῦσιν οἱ περὶ αὐτῆς λόγοι τῶν ὑπὲρ αὐτῆς, ὡς δὲ πρὸς τὸ χρειωδέστερον, ἀνεστραμμένως οἱ ὑπὲρ αὐτῆς τῶν περὶ αὐτῆς. Οὔτε γὰρ γεωργὸς δύναιτ᾿ ἂν προσηκόντως καταβάλλειν τῇ γῇ τὰ σπέρματα, μὴ προεξελὼν τὰ τῆς ἀγρίας ὕλης καὶ τοῖς καταβαλλομένοις ἡμέροις σπέρμασι λυμαινόμενα, οὔτε ἰατρὸς ἐνεῖναί τι τῶν ὑγιεινῶν φαρμάκων τῷ δεομένῳ θεραπείας σώματι, μὴ τὴν ἐνοῦσαν κακίαν προκαθήρας ἢ τὴν ἐπιῤῥέουσαν ἐπισχών· οὔτε μὴν ὁ τὴν ἀλήθειαν ἐθέλων διδάσκειν, περὶ τῆς ἀληθείας λέγων, πεῖσαι δύναιτ᾿ ἄν τινα ψευδοδοξίας τινὸς ὑποικουρούσης τῇ τῶν ἀκουόντων διανοίᾳ καὶ τοῖς λόγοις ἀντιστατούσης. Διὸ πρὸς τὸ χρειωδέστερον ἀφορῶντες καὶ ἡμεῖς προτάσσομεν ἔσθ᾿ ὅτε τοὺς ὑπὲρ τῆς ἀληθείας λόγους τῶν περὶ τῆς ἀληθείας· κατὰ τὸν αὐτὸν δὲ τρόπον ποιῆσαι καὶ νῦν ἐπὶ τῶν τῆς ἀναστάσεως λόγων οὐκ ἀχρεῖον φαίνεται σκοποῦσι τὸ δέον. Καὶ γὰρ ἐν τούτοις εὑρίσκομεν τοὺς μὲν ἀπιστοῦντας πάντη, τινὰς δὲ ἀμφιβάλλοντας, καὶ τῶν γε τὰς πρώτας ὑποθέσεις δεξαμένων τινὰς ἐπ᾿ ἴσης τοῖς ἀμφιβάλλουσιν ἀποροῦντας· τὸ δὲ πάντων παραλογώτατον ὅτι ταῦτα πάσχουσιν, οὐδ᾿ ἡντιναοῦν ἔχοντες ἐκ τῶν πραγμάτων ἀπιστίας ἀφορμήν, οὐδ᾿ αἰτίαν εὑρίσκοντες εἰπεῖν εὔλογον, δι᾿ ἣν ἀπιστοῦσιν ἢ διαποροῦσιν.
A todo dogma e a todo discurso que se atém à verdade das coisas cresce ao lado alguma mentira. E ela não cresce ao lado por brotar, segundo a natureza, de algum princípio subjacente, ou da causa própria de cada coisa naquilo que ela é; antes, é cultivada pelos que honram a semeadura ilegítima, voltada à corrupção da verdade. Isto se pode verificar, primeiro, pelos que outrora se dedicaram às reflexões sobre estas matérias e pela divergência que tiveram tanto com os seus predecessores como com os seus contemporâneos; e, não menos, pela própria confusão dos que hoje se agitam nessas discussões. Pois homens desse tipo nada do que é verdadeiro deixaram sem calúnia: nem a essência de Deus, nem o seu conhecimento, nem a sua operação, nem as coisas que a estas se seguem em cadeia e que nos traçam o discurso da piedade. Uns desesperam inteiramente e de uma vez por todas da verdade sobre essas coisas; outros distorcem-nas conforme lhes parece; outros, ainda, fazem profissão de duvidar até do que é evidente. Por isso julgo que os que se ocupam destas matérias precisam de discursos de dois tipos: uns em defesa da verdade, outros acerca da verdade. Os que são em defesa da verdade dirigem-se aos que não creem ou aos que duvidam; os que são acerca da verdade, aos que são bem-dispostos e acolhem a verdade com benevolência. Por isso convém que os que querem examinar estas coisas atentem para a necessidade que a cada momento se apresenta, e por ela meçam os seus discursos, ajustando ao que é devido a ordem da exposição — e que não descuidem, por parecer que guardam sempre o mesmo princípio, do que é apropriado e do lugar que cabe a cada coisa. Pois, quanto à demonstração e à sequência natural, os discursos acerca da verdade sempre têm precedência sobre os que são em defesa dela; mas, quanto à utilidade, é o inverso: os que são em defesa dela precedem os que são acerca dela. O lavrador não poderia convenientemente lançar as sementes à terra sem antes extirpar o mato silvestre e o que é nocivo às sementes cultivadas que se semeiam; nem o médico poderia introduzir algum remédio salutar no corpo que precisa de tratamento sem antes purgar o mal existente ou conter o que sobrevém. Do mesmo modo, quem quer ensinar a verdade, falando acerca da verdade, não poderia persuadir ninguém enquanto alguma falsa opinião se esconde no entendimento dos ouvintes e resiste aos seus argumentos. Por isso também nós, olhando para o que é mais útil, antepomos por vezes os discursos em defesa da verdade aos discursos acerca da verdade. E agora, no que toca aos argumentos sobre a ressurreição, não parece inútil, aos que consideram o que é devido, proceder do mesmo modo. Pois também nesta matéria encontramos uns que descreem inteiramente, alguns que duvidam, e, mesmo entre os que aceitaram os primeiros pressupostos, alguns tão perplexos quanto os que duvidam; e o mais absurdo de tudo é que padecem disso sem terem, nas próprias coisas, motivo algum de descrença, nem poderem apontar causa razoável pela qual descreem ou hesitam.