I
Si uetera fidei exempla, et Dei gratiam testificantia et aedificationem hominis operantia, propterea in litteris sunt digesta, ut lectione eorum quasi repraesentatione rerum et Deus honoretur et homo confortetur; cur non et noua documenta aeque utrique causae conuenientia et digerantur? uel quia proinde et haec uetera futura quandoque sunt et necessaria posteris, si in praesenti suo tempore minori deputantur auctoritati propter praesumptam uenerationem antiquitatis. sed uiderint qui unam uirtutem Spiritus unius Sancti pro aetatibus iudicent temporum: cum maiora reputanda sunt nouitiora quaeque ut nouissimiora, secundum exuperationem gratiae in ultima saeculi spatia decretam. In nouissimis enim diebus, dicit Dominus, effundam de Spiritu meo super omnem carnem, et prophetabunt filii filiaeque eorum: et super seruos et ancillas meas de meo Spiritu effundam: et iuuenes uisiones uidebunt, et senes somnia somniabunt. itaque et nos qui sicut prophetias ita et uisiones nouas pariter repromissas et agnoscimus et honoramus, ceterasque uirtutes Spiritus Sancti ad instrumentum Ecclesiae deputamus, cui et missus est idem omnia donatiua administrans in omnibus prout unicuique distribuit Dominus, necessario et digerimus et ad gloriam Dei lectione celebramus; ut ne qua aut imbecillitas aut desperatio fidei apud ueteres tantum aestimet gratiam diuinitatis conuersatam, siue in martyrum siue in reuelationum dignatione: cum semper Deus operetur quae repromisit, non credentibus in testimonium, credentibus in beneficium. et nos itaque quod audiuimus et contrectauimus annuntiamus et uobis, fratres et filioli: ut et uos qui interfuistis rememoremini gloriae Domini, et qui nunc cognoscitis per auditum communionem habeatis cum sanctis martyribus, et per illos cum Domino Iesu Christo, cui est claritas et honor in saecula saeculorum. amen
Se os antigos exemplos da fé, que testemunham a graça de Deus e operam a edificação do homem, foram por isso mesmo postos por escrito, para que, pela leitura deles, como que pela representação dos próprios fatos, tanto se honre a Deus quanto se console o homem — por que não haveriam também de ser postos por escrito os novos testemunhos, igualmente convenientes a uma e outra finalidade? Ou será que estes, por sua vez, hão de ser um dia antigos e necessários à posteridade, se no seu próprio tempo presente lhes é atribuída menor autoridade por causa da veneração já consagrada à antiguidade? Mas hão de ver isso os que julgam ser una a virtude de um só e mesmo Espírito Santo segundo as idades dos tempos, quando na verdade se devem reputar maiores os feitos mais novos, por serem os últimos, segundo o acréscimo de graça decretado para os derradeiros tempos do mundo. Pois nos últimos dias, diz o Senhor, derramarei do meu Espírito sobre toda carne, e profetizarão seus filhos e filhas; e sobre meus servos e minhas servas derramarei do meu Espírito; e os jovens verão visões, e os velhos sonharão sonhos. Assim também nós, que reconhecemos e honramos tanto as profecias quanto as visões novas igualmente prometidas, e que atribuímos as demais virtudes do Espírito Santo ao serviço da Igreja — à qual esse mesmo Espírito foi enviado, distribuindo todos os dons em todos, conforme o Senhor reparte a cada um —, necessariamente também as registramos por escrito e as celebramos pela leitura, para glória de Deus; para que nenhuma fraqueza ou desespero de fé julgue que a graça da divindade conviveu somente com os antigos, seja na dignidade dos mártires, seja na das revelações — visto que Deus sempre opera o que prometeu, para testemunho dos que não creem, para benefício dos que creem. E nós, portanto, o que ouvimos e tocamos, também a vós anunciamos, irmãos e filhinhos, para que vós, que estivestes presentes, vos recordeis da glória do Senhor, e para que vós, que agora a conheceis por ouvir dizer, tenhais comunhão com os santos mártires e, por meio deles, com o Senhor Jesus Cristo, a quem seja a claridade e a honra pelos séculos dos séculos. Amém.