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Cartas e Fragmentos

Testemunhos sobre Milcíades

Μιλτιάδης — μαρτυρίαι

Milcíades (testemunhos de Eusébio e do Anônimo antimontanista) · c. 160–193 d.C. · apud Eusébio, HE V,16–17 e V,28 · Fora da PG 5 — transmitido em PG 20 (Eusébio, HE V,16–17; V,28)

I

ἐκ πλείστου ὅσου καὶ ἱκανωτάτου χρόνου, ἀγαπητὲ Ἀυίρκιε Μάρκελλε, ἐπιταχθεὶς ὑπὸ σοῦ συγγράψαι τινὰ λόγον εἰς τὴν τῶν κατὰ Μιλτιάδην λεγομένων αἵρεσιν, ἐφεκτικώτερόν πως μέχρι νῦν διεκείμην, οὐκ ἀπορίᾳ τοῦ δύνασθαι ἐλέγχειν μὲν τὸ ψεῦδος, μαρτυρεῖν δὲ τῆ ἀληθείᾳ,

[Eusébio, História Eclesiástica V,16 — o Anônimo antimontanista dedica a sua obra a Avírcio Marcelo.]

há muitíssimo e mais que suficiente tempo, amado Avírcio Marcelo, encarregado por ti de compor um discurso contra a heresia dos chamados [seguidores] de Milcíades, estive até agora, de algum modo, em suspenso — não por falta de capacidade de refutar a mentira e dar testemunho à verdade,

II

Ἐν τούτῳ δὲ τῷ συγγράμματι καἰ Μιλτιάδου συγγραφέως μέμνηται, ὡς λόγον τινὰ καὶ αὐτοῦ κατὰ τῆς προειρημένης αἱρέσεως γε· γραφότος· παραθέμενος γοῦν αὐτῶν λέξεις τινάς, ἐπιφέρει λέγων· “ταῦτα εὑρὼν ἔν τινι συγγράμματι αὐτῶν ἐνισταμένων τῷ Ἀλκιβιάδου τοῦ ἀδελφοῦ συγγράμματι, ἐν ᾧ ἀποδείκνυσιν περὶ τοῦ μὴ δεῖν προφήτην ἐν ἐκστάσει λαλεῖν, ἐπετεμόμην.” ὑποκαταβὰς δ’ ἐν ταὐτῷ τοὺς κατὰ τὴν καινὴν διαθήκην προπεφητευκότας καταλέγει, ἐν οἷς καταριθμεῖ Ἀμμίαν τινὰ καὶ Κοδρᾶτον, λέγων οὕτως· “ ἀλλ’ ὅ γε ψευδοπροφήτης ἐν παρεκστάσει, ᾧ ἕπεται ἄδεια καὶ ἀφοβία, ἀρχομένου μὲν ἐξ ἑκουσίου ἀμαθίας, καταστρέφοντος δὲ εἰς ἀκούσιον μανίαν ψυχῆς, ὡς προείρηται. τοῦτον δὲ τὸν τρόπον οὔτε τινὰ τῶν κατὰ τὴν παλαιὰν οὔτε τῶν κατὰ τὴν καινὴν πνευματοφορηθέντα προφήτην δεῖξαι δυνή- δονται, οὔτε Ἄγαβον οὔτε Ἰούδαν οὔτε Σίλαν οὔτε τὰς Φιλίππου θυγατέρας, οὔτε τὴν ἐν Φιλαδελφίᾳ Ἀμμίαν οὔτε Κοδρᾶτον, οὔτε εἰ δή τινας ἄλλους μηδὲν αὐτοῖς προσήκοντας καυχήσονται ’’ καὶ αὖθις δὲ μετὰ βραχέα ταῦτά φηαιν· “εἰ γὰρ μετὰ Κοδρᾶτον καὶ τὴν ἐν Φιλαδελφίᾳ Ἀμμίαν, ὥς φασιν, αἱ περὶ Μοντανὸν διεδέξαντο γυναῖκες τὸ προφητικὸν χάρισμα, τοὺς ἀπὸ Μοντανοῦ καὶ τῶν γυναικῶν τίνες παρ’ αὐτοῖς διεδέξαντο, δειξάτωσαν· δεῖν γὰρ εἶναι τὸ προφητικὸν χάρισμα ἐν πάσῃ τῆ ἐκκλησίᾳ μέχρι τῆς τελείας παρουσίας ὁ ἀπόστολος ἀξιοῖ. ἀλλ’ οὐκ ἂν ἔχοιεν δεῖξαι τεσσαρεσκαιδέκατον ἤδη που τοῦτο ἔτος ἀπὸ τῆς Μαξιμίλλης τελευτἠς.” Οὗτος μὲν δὴ τοσαῦτα· ὅ γέ τοι πρὸς αὐτοῦ δεδηλωμένος Μιλτιάδης καὶ ἄλλας ἡμῖν τῆς ἰδίας περὶ τὰ θεῖα λόγια απουδῆς μνήμας καταλέλοιπεν ἔν τε οἷς πρὸς ‘́Eλληνας συνέταξε λόγοις καὶ τοῖς πρὸς Ἰουδαίους , ἑκατέρᾳ ἰδίως ὑποθέσει ἐν δυσὶν ὑπαντήσας αυγγράμμασιν, ἔτι δὲ καὶ πρὸς τοὺς κοσμικοὺς ἄρχοντας ὑπὲρ ἦς μετῄει φιλοσοφίας πεποίηται ἀπολογίαν.

[Eusébio, História Eclesiástica V,17 — Sobre Milcíades e os discursos que compôs.]

E, neste escrito, [o Anônimo] menciona também o escritor Milcíades, como tendo também ele escrito um certo discurso contra a heresia antes referida; tendo, pois, exposto algumas palavras deles, acrescenta, dizendo: "tendo achado estas coisas num certo escrito deles, [no qual] se opõem ao escrito do irmão Alcibíades [Milcíades], no qual demonstra que um profeta não deve falar em êxtase, fiz um resumo." E, descendo um pouco, na mesma [obra], enumera os que profetizaram segundo o Novo Testamento, entre os quais conta uma certa Âmia e Quadrato, dizendo assim: "mas o falso profeta [fala] em falso êxtase, ao qual seguem a licença e o destemor — começando ele de uma ignorância voluntária, mas terminando numa loucura involuntária da alma, como já foi dito. E, deste modo, não poderão mostrar nenhum profeta, nem dos [tempos] do Antigo nem dos do Novo [Testamento], transportado pelo espírito — nem Ágabo, nem Judas, nem Silas, nem as filhas de Filipe, nem Âmia, a de Filadélfia, nem Quadrato, nem quaisquer outros de que se gloriem, [que] em nada lhes pertencem." E de novo, pouco depois, diz isto: "pois, se, depois de Quadrato e de Âmia, a de Filadélfia, como dizem, as mulheres em torno de Montano receberam em sucessão o carisma profético, mostrem quais, entre eles, sucederam aos [vindos] de Montano e das mulheres; pois que o carisma profético deve existir em toda a igreja até a vinda final, o apóstolo [o] sustenta. Mas não poderiam mostrá[-lo], sendo este já, de algum modo, o décimo quarto ano desde a morte de Maximila."

Este, pois, [diz] tantas coisas; e o Milcíades por ele indicado deixou-nos também outras memórias do seu próprio empenho a respeito das divinas letras, tanto nos discursos que compôs contra os gregos quanto nos contra os judeus, tendo enfrentado cada assunto, separadamente, em dois escritos; e ainda fez uma apologia, aos governantes mundanos, em favor da filosofia que seguia.

III

ἔστιν γράμματα, πρεσβύτερα τῶν βίκτορος χρόνων, ἃ ἐκεῖνοι καὶ πρὸς τὰ ἔθνη ὑπὲρ τῆς ἀληθείας καὶ πρὸς τὰς τότε αἱρέσεις ἔγραψαν, λέγω δὲ ἰουστίνου καὶ Μιλτιάδου καὶ Τατιανοῦ καὶ Κλήμεντος καὶ ἑτέρων πλειόνων, ἐν οἷς ἅπασιν θεολογεῖται ὁ χριστός.

[Eusébio, História Eclesiástica V,28 — Milcíades entre os que proclamaram a divindade de Cristo, no chamado "Pequeno Labirinto".]

e há também escritos de certos irmãos, mais antigos que os tempos de Vítor, os quais aqueles escreveram tanto às nações, em favor da verdade, quanto contra as heresias de então — falo de Justino e Milcíades e Taciano e Clemente e vários outros —, em todos os quais o Cristo é teologizado [proclamado Deus].

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