I
ΑΥΤΑΡΚΩΣ ἐν τοῖς πρὸ τούτων ἐκ πολλῶν ὀλίγα διαλαβόντες, περὶ τῆς τῶν ἐθνῶν περὶ τὰ εἴδωλα πλάνης, καὶ τῆς τούτων δεισιδαιμονίας, πῶς ἐξ ἀρχῆς τούτων γέγονεν ἡ εὕρεσις, ὅτι ἐκ κακίας οἱ ἄνθρωποι ἑαυτοῖς τὴν πρὸς τὰ εἴδωλα θρησκείαν ἐπενόησαν· ἀλλὰ γὰρ χάριτι Θεοῦ σημάναντες ὀλίγα καὶ περὶ τῆς θειότητος τοῦ Λόγου τοῦ Πατρὸς, καὶ τῆς εἰς πάντα προνοίας καὶ δυνάμεως αὐτοῦ· καὶ ὅτι ὁ ἀγαθὸς Πατῆρ τούτῳ τὰ πάντα διακοσμεῖ, καὶ τὰ πάντα ὑπ’ αὐτοῦ κινεῖται, καὶ ἐν αὐτῷ ζωοποιεῖται· φέρε κατὰ ἀκολουθίαν, Μακάριε καὶ ἀληθῶς φιλόχριστε, τῇ περὶ τῆς εὐσεβείας πίστει, καὶ τὰ περὶ τῆς ἐνανθρωπήσεως τοῦ Λόγου διηγησώμεθα, καὶ περὶ τῆς θείας αὐτοῦ πρὸς ἡμᾶς ἐπιφανείας δηλώσωμεν· ἣν Ἰουδαῖοι μὲν διαβάλλουσιν, Ἕλληνες δὲ χλευάζουσιν, ἡμεῖς δὲ προσκυνοῦμεν· ἵν’ ἔτι μᾶλλον ἐκ τῆς δοκούσης εὐτελείας τοῦ Λόγου, μείζονα καὶ πλείονα τὴν εἰς αὐτὸν εὐσέβειαν ἔχῃς. Ὅσῳ γὰρ παρὰ τοῖς ἀπίστοις χλευάζεται, τοσούτῳ μείζονα τὴν περὶ τῆς θεότητος αὐτοῦ μαρτυρίαν παρέχει· ὅτι τε ἃ μὴ καταλαμβάνουσιν ἄνθρωποι ὡς ἀδύνατα, ταῦτα αὐτὸς ἐπιδείκνυται δυνατά· καὶ ἃ ὡς ἀπρεπῆ χλευάζουσιν ἄνθρωποι, ταῦτα αὐτὸς τῇ ἑαυτοῦ ἀγαθότητι εὐπρεπῇ κατασκευάζει· καὶ ἃ σοφιζόμενοι οἱ ἄνθρωποι ὡς ἀνθρώπινα γελῶσι, ταῦτα αὐτὸς τῇ αὐτοῦ δυνάμει θεῖα ἐπιδείκνυται, τὴν μὲν τῶν εἰδώλων φαντασίαν τῇ νομιζομένῃ ἑαυτοῦ εὐτελείᾳ διὰ τοῦ σταυροῦ καταστρέφων, τοὺς δὲ χλευάζοντας καὶ ἀπιστοῦντας μεταπείθων ἀφανῶς ὥστε τὴν θειότητα αὐτοῦ καὶ δύναμιν ἐπιγινώσκειν. Εἰς δὲ τὴν περὶ τούτων διήγησιν, χρεία τῆς τῶν προειρημένων μνήμης· ἵνα καὶ τὴν αἰτίαν τῆς ἐν σώματι φανερώσεως τοῦ τοσούτου καὶ τηλικούτου Πατρικοῦ Λόγου γνῶναι δυνηθῇς, καὶ μὴ νομίσης, ὅτι φύσεως ἀκολουθία σῶμα πεφόρεκεν ὁ Σωτήρ· ἀλλ’ ὅτι ἀσώματος ὢν τῇ φύσει, καὶ Λόγος ὑπάρχων, ὅμως πατὰ φιλανθρωπίαν καὶ ἀγαθότητα τοῦ ἑαυτοῦ Πατρὸς, διὰ τὴν ἡμῶν σωτηρίαν, ἐν ἀνθρωπίνῳ σώματι ἡμῖν πεφανέρωται. Πρέπει δὲ ποιουμένους ἡμᾶς τὴν περὶ τούτου διήγησιν, πρότερον περὶ τῆς τῶν ὅλων κτίσεως, καὶ τοῦ ταύτης δημιουργοῦ Θεοῦ εἰπεῖν, ἵνα οὕτως καὶ τὴν ταύτης ἀνακαίνισιν ὑπὸ τοῦ κατὰ τὴν ἀρχὴν αὐτὴν δημιουργήσαντος Λόγου γεγενῆσθαι ἀξίως ἄν τις θεωρήσειεν· οὐδὲν γὰρ ἐναντίον φανήσεται, εἰ δι’ οὗ ταύτην ἐδημιούργησεν ὁ Πατὴρ, ἐν αὐτῷ καὶ τὴν ταύτης σωτηρίαν εἰργάσατο.
Tendo, nos [escritos] anteriores a estes, tratado suficientemente, de entre muitas coisas, umas poucas acerca do erro dos gentios quanto aos ídolos e da sua superstição — de como, desde o princípio, se deu a invenção destas coisas, [a saber] que foi por malícia que os homens conceberam para si o culto dos ídolos —, e tendo, pela graça de Deus, indicado também umas poucas coisas acerca da divindade do Logos do Pai, e da sua providência e poder sobre todas as coisas, e [mostrado] que o bom Pai ordena todas as coisas por meio dele, e que todas as coisas por ele se movem e nele são vivificadas — vamos, em sequência, ó bem-aventurado e verdadeiramente amante de Cristo, à fé acerca da piedade, expor também as coisas acerca da encarnação do Logos e manifestar a sua divina aparição a nós — a qual os judeus caluniam, os gregos escarnecem, mas nós adoramos —, para que ainda mais, a partir da aparente humildade do Logos, tenhas por ele uma piedade maior e mais plena.
Pois, quanto mais é escarnecido pelos incrédulos, tanto maior é o testemunho que oferece da sua divindade; porque as coisas que os homens não compreendem, tendo-as por impossíveis, essas ele mesmo demonstra possíveis; e as que os homens escarnecem como impróprias, essas ele mesmo, pela sua bondade, torna próprias; e as que os homens, sofismando, ridicularizam como humanas, essas ele mesmo, pelo seu poder, demonstra divinas — destruindo, pela sua tida por humildade, por meio da cruz, a fantasia dos ídolos, e persuadindo invisivelmente os que escarnecem e não creem a reconhecer a sua divindade e poder.
E, para a narração destas coisas, é necessária a memória do que foi dito antes; para que possas conhecer a causa da manifestação em corpo de tão grande e tão excelso Logos do Pai, e não penses que por sequência da natureza o Salvador trouxe um corpo, mas que, sendo incorpóreo por natureza e existindo como Logos, contudo, por filantropia e bondade do seu próprio Pai, por causa da nossa salvação, se manifestou a nós num corpo humano.
E convém que, fazendo nós a narração acerca disto, falemos primeiro acerca da criação de todas as coisas e do Deus seu artífice, para que assim se possa contemplar dignamente que também a renovação dela se deu pelo Logos que a criou no princípio; pois nada aparecerá de contrário, se por meio daquele por quem o Pai a criou, nele também operou a sua salvação.